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Avaliação
E. H. Rabelo
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Toda e qualquer avaliação pressupõe objetos e critérios. Habitualmente, na
escola, o único objeto avaliado é o aluno ou, às vezes, só a sua aprendizagem e,
somente enquanto um produto. Mas, no processo de ensino e aprendizagem deveríamos avaliar
também outras questões, tais como: os seus objetivos, os conteúdos, as propostas de
intervenções didáticas com seus materiais e recursos utilizados. Os critérios são o
referencial da avaliação e devem traduzir a natureza da educação institucionalizada. O
termo critério quer dizer discernir. Em sua acepção comum, indica uma regra para julgar
a verdade. Filosficamente, uma característica para avaliar algo. É o que serve de
fundamento para um juízo. Em síntese pode-se dizer que critério de avaliação é um
princípio que se toma como referência para julgar alguma coisa.
Algumas categorias:
(...)
Quanto à regularidade uma avaliação pode ser contínua
ou pontual. Avaliação contínua, como o próprio nome diz, é aquela que acontece de
forma regular, continuamente, em sala de aula. Não se espera chegar ao final de um
trabalho para proceder a uma avaliação, ela se dá durante todo o processo de ensino e
aprendizagem. Avaliação pontual, ao contrário da contínua se dá apenas ao final de
algum trabalho como, por exemplo, o caso de um exame ao final de um período letivo ou de
um período de recuperação.
Quanto ao avaliador a avaliação pode ser interna ou
externa. Diz-se interna quando é o próprio professor que ministra o ensino, é quem
também aplica a avaliação. Diz-se externa quando é alguém de fora do processo de
ensino que aplica a avaliação.
Uma avaliação interna, tanto pode ser uma avaliação
contínua como pontual. Um exemplo de avaliação interna e pontual são as provas
bimestrais ou semestrais e um exemplo de avaliação interna e contínua são as
verificações de aprendizagem realizadas no dia a dia da sala de aula.
Uma avaliação externa também pode ser contínua ou pontual.
Um exemplo de avaliação externa e pontual é aquela avaliação realizada pelo sistema
público ao final de um certo período, para avaliar o rendimento das escolas. Um exemplo
de avaliação externa e contínua é aquela realizada em algumas escolas quando um
coordenador vai regularmente às salas arguir os alunos.
Quanto à explicidade a avaliação pode ser explícita
ou implícita. Uma avaliação explícita ocorre quando a situação de avaliação está
clara e bem definida para todos os indivíduos sujeitos a ela. Uma avaliação implícita
ocorre quando, ao contrário, os indivíduos se submetem à avaliação sem se darem conta
de que estão sendo avaliados.
Quanto à comparação a avaliação pode ser normativa
ou criterial. Uma avaliação normativa é aquela que compara o rendimento de um aluno com
o rendimento alcançado pelos demais colegas do grupo. Procura-se informar sobre as
possibilidades de um aluno saber ou poder fazer mais ou menos que os outros. Nos esportes,
por exemplo, a avaliação dos atletas é quase que somente normativa, principalmente
quando da escolha de representações. Uma avaliação criterial procura situar cada aluno
em relação ao atingimento ou não de um dado objetivo pré-fixado, informando sobre o
que o aluno sabe ou não sabe, pode ou não pode fazer, por exemplo, a grande maioria dos
concursos públicos, vestibulares, etc. Assim, uma avaliação criterial tem como objetivo
apreciar um aluno para situá-lo em relação a critérios-alvos. Corresponde ao descrever
o ser à luz de um dever-ser previamente determinado.
Quanto à formação a avaliação pode ser diagnóstica,
formativa e somativa. Uma avaliação diagnóstica ou
inicial faz um prognóstico sobre as capacidades de um determinado aluno em relação a um
novo conteúdo a ser abordado. Trata-se de identificar algumas características de um
aluno objetivando escolher algumas seqüências de trabalho mais bem adaptadas a tais
características. Tenta-se identificar um perfil dos sujeitos antes de iniciar qualquer
trabalho de ensino, sem o que, com certeza, estaria comprometido todo o trabalho futuro do
professor. O diagnóstico é o momento de situar aptidões iniciais, necessidades,
interesses de um indivíduo, de verificar pré-requisitos. É, antes de tudo, momento de
detectar dificuldades dos alunos para que o professor possa melhor conceber estratégias
de ação para solucioná-las.
Uma avaliação somativa é
normalmente uma avaliação pontual, já que, normalmente, acontece no final de uma
unidade de ensino, de um curso, um ciclo ou um bimestre, etc. tratando sempre de
determinar o grau de domínio de alguns objetivos previamente extabelecidos. Propõe fazer
um balanço somatório de uma ou várias seqüências de um trabalho de formação. Às
vezes pode ser realizada em um processo cumulativo, quando um balanço final leva em
consideração vários balanços parciais. Faz um inventário com o objetivo social de
pôr à prova, verificar portanto, além de informar, situa, classifica e sua principal
função é dar certificado, titular.
Uma avaliação formativa tem a
finalidade de proporcionar informações acerca do desenvolvimento de um processo de
ensino e aprendizagem, com o fim de que o professor possa ajustá-lo às características
das pessoas a que se dirige. Este tipo de avaliação não tem uma finalidade probatória.
Entre suas principais funções estão as de inventariar, harmonizar, tranquilizar,
apoiar, orientar, reforçar, corrigir, etc. É uma avaliação incorporada no ato do
ensino e integrada na ação de formação. É uma avaliação que contribui para melhorar
a aprendizagem pois, informa o professor sobre o desenvolver da aprendizagem e o aluno
sobre os seus sucessos e fracassos, o seu próprio caminhar. Assim, proporciona, por
exemplo: segurança e confiança do aluno nele próprio; feedback ao dar
rapidamente informações úteis sobre etapas vencidas e dificuldades encontradas;
diálogo entre professor e aluno bem fundamentado em dados precisos e consistentes.
Além disso, a avaliação formativa assume uma função reguladora quando
permite tanto a alunos como a professores ajustarem estratégias e dispositivos. Ela pode
reforçar positivamente qualquer competência que esteja de acordo com alguns objetivos
previamente estabelecidos e permitir ao próprio aluno analisar situações, reconhecer e
corrigir seus eventuais erros nas tarefas.
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