MAT789 - Inovação Curricular em Matemática
(1988-1992) P. Abrantes et al., Gulbenkian, 1997

A avaliação não fez parte das preocupações explícitas iniciais do projecto. (…) Foi com o decorrer do trabalho que se tornou claro que não só os métodos de avaliação tradicionalmente utilizados, como a própria noção de avaliação, não se ajustavam à filosofia, aos objectivos e ás metodologias do currículo experimental. (…) O processo evolutivo não se restringiu, contudo, aos professores, alargando-se aos próprios alunos. Também para eles foi necessário um período de tempo para deixarem sentimentos de angústia e stress tradicionalmente associados à avaliação, passando a encará-la com naturalidade e vendo-a como um contributo para a sua aprendizagem.


Formas e instrumentos de avaliação:

  • observação dos alunos: (…) sem qualquer carácter classificador (…) decisivo para a função reguladora da avaliação;
  • relatórios e ensaios: (…) o processo seguido na classificação destes trabalhos tinha uma primeira fase de definição de critérios que eram apresentados aos alunos. (…) era dada uma informação de tipo qualitativo. (…) No final (…) era atribuída uma nota qualitativa.
  • testes em duas fases: (…) para a atribuição de uma classificação final eram consideradas a primeira e a segunda fase do teste e aevolução apresentada. (…) de tipo qualitativo. (…) Houve por parte dos alunos alguma dificuldade em compreender o espírito desta forma de avaliação.
  • apresentações orais: (…) a apreciação final do professor foi dirigida ao grupo e foi de tipo qualitativo.
  • trabalhos de casa: (…) objecto de uma informação escrita sobre a qualidade daquilo que cada aluno tinha feito.
  • entrevistas individuais e colectivas: (…) no final de cada ano lectivo (…) audiogravadas ou registadas em vídeo

Princípios orientadores da avaliação:

  • coerência: a avaliação da aprendizagem deve estar em consonância com os objectivos, metodologias e conteúdos definidos no currículo.
  • integração: a avaliação como parte integrante da própria aprendizagem.
  • carácter positivo: a avaliação deve dirigir-se prioritariamente ao que o aluno sabe, ao que já é capaz de fazer, e não ao que ainda não sabe.
  • generalidade: a) a avaliação deve-se dirigir aos objectivos gerais (visão holística da Matemática e da aprendizagem); b) a escolha de uma dada forma ou instrumento de avaliação deve adequar-se à sua relevância perante os fins para os quais foi pensada; c) o aluno deve ser visto como um indivíduo e não como um elemento dentro do colectivo.
  • diversidade: deve-se recorrer a formas diversificadas de avaliação para que esta fique em consonância com as metodologias
  • postura: a avaliação deve acontecer num ambiente de confiança e clareza.

Reacção dos alunos à problemática da avaliação:

  • positivos: interacção entre a prendizagem e a avaliação; ambiente em que decorreu a avaliação;
  • negativos: identificação da avaliação com os testes (influência do passado e falta de acção concertada com outras disciplinas?)