Uma aula de 90 minutos com 2 lições


Dia 7 de Janeiro de 2002. Mais uma aula de 90 minutos desdobrada em dois tempos (lições, segundo os livros de ponto e o Director do DEB) de 45 minutos cada, repartidos pela Formação Cívica e pela Área-Escola (finalmente, com tempo próprio!). Esta aula não só era a primeira do ano civil, mas, por isso mesmo, era a primeira após a entrada da nova moeda: o Euro. Assim, considerei oportuno apostar neste tema, aglutinando os dois tempos. (Muitas vezes, os professores do 3.º Ciclo que têm estas novas áreas curriculares fazem esta gestão, ora em favor da Formação Cívica, ora em benefício da Área-Escola.)

Comecei por questionar se conheciam algumas histórias sobre a dificuldade da implementação do Euro. Nenhum aluno conhecia qualquer episódio familiar, embora (só alguns!) conhecessem a história da senhora de Trás-os-Montes que comprara muita comida e guardara-a numa arca congeladora. Procurei organizar um debate em torno das vantagens e desvantagens do Euro e do período de transição em que as duas moedas (o Escudo e o Euro) estão em circulação. Apesar de quase todos os alunos terem opinião sobre o assunto, não conseguiram eleger um representante das vantagens e um das desvantagens, pelo que o debate foi transformado em conversa. A existência dos objectos moeda e nota (esta, mais recente) convenceu todos da necessidade do período de transição, com as duas moedas presentes. Para isso, duas alunas disponibilizaram uma moeda (de 1 euro) e uma nota (de 10 euros!), para toda a turma observar.

A propósito da implementação do Euro, a generalidade dos alunos considerara que as pessoas mais idosas teriam muitas dificuldades de adaptação. Assim, ocorreu-me apresentar uma tarefa que, apesar de simples, poderia ser uma experiência de aprendizagem significativa: que moedas ou notas de Euro usar, para comprar um artigo que custa um determinado preço? Claro que os alunos não tiveram dificuldade em responder. Por isso, compliquei um pouco: e se tiverem determinadas moedas ou notas...? E escrevi os seus valores. Agora, já foi menos fácil, mas é assim que acontece no dia-a-dia, com trocos e tudo! Variei o valor das moedas e os alunos foram sugerindo várias combinações de moedas e notas. Perguntei se 1 nota de 10 euros valeria o mesmo que 100 moedas de 10 cêntimos? Todos responderam que sim. E avancei: Patrícia, trocarias a tua nota de 10 euros por 100 moedas de 10 cêntimos? A aluna ficou um pouco indecisa, pois ficaria cheia de moedas. Assim, propus que lhe daria 100 moedas de 15 cêntimos em troca da sua nota de 10 euros. Os colegas fizeram ver a aluna que, apesar de ficar cheia de moedas, o saldo seria positivo. A aluna, que exibira a nota de 10 euros a toda a turma, incentivada pelos colegas, não hesitou: aceitaria tal proposta. Não reparou que tais moedas de 15 cêntimos teriam que ser falsas...

Eis as duas lições desta aula:

- não são apenas os idosos que têm mais dificuldade em lidar com a nova moeda;

- não adianta ter (e exibir) muito dinheiro, se não se souber lidar bem com ele.

 

© Mário Lima 2002 (descrição de uma aula do 9.º B, na área de Formação Cívica)