JSD / V. N. Gaia


Membro da CPS da JSD de Gaia (1991-95)

Coordenador do Gabinete Autárquico da JSD de Gaia (1995)

As Autarquias e a Problemática Juvenil

As Autarquias e a Problemática Juvenil

 

Meio ano após as últimas eleições autárquicas, com o início da actividade autárquica para muitos jovens da JSD, torna-se oportuno colocar as seguintes questões, bem como dar-lhes resposta(s): a) estes jovens autarcas, nas freguesias e nos municípios, têm sido devidamente apoiados pela nossa estrutura?; b) têm acesso a um leque variado de informações, acerca da actividade autárquica destinada à juventude?; c) têm trabalhado em conjunto, com vista à obtenção de soluções mais eficazes e caracterizadoras da nossa organização?; e d) na realidade, a JSD sabe aquilo que os jovens anseiam e quem são esses jovens?


Uma política autárquica de juventude concertada

Há que distinguir, obviamente, dois níveis de intervenção autárquica: o da freguesia e o do município. Enquanto, no primeiro, a coordenação deve competir ao órgão concelhio (distrital, no caso do concelho do Porto) da JSD, no segundo, deve ser o órgão distrital a cumpri-la. Quem melhor que a distrital da JSD para estabelecer contactos com os organismos distritais e regionais do Estado (IPJ, INDESP, DREN, CCRN, IEFP, etc)?

É sabido que já existe um gabinete autárquico da distrital da JSD, mas, até ao momento, não funciona. Tal gabinete deveria, regularmente, funcionar como elo de ligação entre aqueles organismos e os gabinetes autárquicos das secções, no que refere à recolha de informações, e, periodicamente, com a presença de um representante de cada concelhia, estudar e propor soluções comuns, decorrentes de uma estratégia global para o distrito, para problemas comuns aos diversos concelhos. Não basta elaborar propostas eleitorais para a juventude: é preciso elaborar, imediatamente após as eleições, um projecto autárquico para a juventude, com base num estudo criterioso e numa participação mais alargada (não severamente restrita, do género de um documento confidencial, dentro da própria estrutura da JSD).

Após esta fase, que nunca se deve esgotar, cada secção deverá, no respectivo gabinete autárquico, transportar as funções do gabinete distrital, ao plano das várias freguesias do concelho. É claro que, neste nível, devem ser considerados, quer o projecto distrital, quer vertentes específicas de cada concelho.


Estudo e avaliação da problemática juvenil

Como reconhecer as melhores medidas a serem adoptadas nas autarquias, na área juvenil? Certamente, não bastarão a recolha de informações e as opiniões esclarecidas de dirigentes e militantes da JSD. Até porque as informações param no tempo e a JSD (tal como as outras organizações partidárias de juventude) representa uma pequena parcela dos jovens. Assim, como é que Nós sabemos o que pensam e como vivem milhões de outros jovens?

Torna-se imperioso, portanto, fazer-se, o mais abrangentemente possível, um estudo sobre a juventude, nas suas múltiplas vertentes (incluindo o seu comportamento face à política). Tal estudo deverá ser feito periodicamente, de acordo com os custos inerentes, de modo a ser avaliada a evolução dos comportamentos juvenis, e com a participação de organizações juvenis das mais diversas áreas, identificadas com a JSD. A propósito, recorde-se o trabalho desenvolvido, a nível governamental, em 1985, pela Comissão Interministerial de Juventude e, paralelamente, a investigação sobre o comportamento político da juventude, por Braga da Cruz (Análise Social, vol. XXI, pp. 1067-1088). Só com um estudo sistemático se poderá compreender e ajudar a transformar esta jovem geração. Claro que este estudo deve ser extendido ao plano nacional, pelo que deverá ser a JSD nacional a custear tal tarefa.

Como observação final, deve-se notar que já é tempo da geração das calças de ganga vestir a roupa de trabalho, para consertar o comboio que vai fugindo desgovernadamente, conduzido pela geração rasca.


Mário Jorge da Silva Lima
Julho de 1994