Diálogo sobre as vagas

 

Esclarecimentos?
[a propósito das vagas em Matemática e de esclarecimentos da DGAE (ex-DEGRE), do ME]


DGAE - Para  ano escolar de 2000/2001 estão em concurso, no citado grupo [1.º Grupo do Secundário – Matemática], um total de 954 vagas  (147 em quadro de escola e 807 em quadros de zona pedagógica).

MJL – Confirma-se os 147 lugares de QND (quadro de escola), acrescenta-se os 807 lugares do QZP (quadro de zona pedagógica) e ainda não se refere a fase regional (mini-concursos) e de escola...

DGAE - Confirmo que existem 290 “vagas negativas” actualmente nos quadros de escola no mesmo grupo. Este número significa que existem 290 professores de matemática, vinculados a escolas e que não têm alunos. “Vagas”, que obviamente não podem ser concursadas, pois têm titular com todos os seus direitos. Anoto que, segundo as estatísticas da Educação só no ano de 1997/98 se verificou, em relação ao ano anterior, um decréscimo de 8% no número de alunos do ensino secundário.

MJL - Confirma-se a extinção de 290 lugares de QND. Esses professores (“sem alunos”), o que têm estado a fazer? Porque é que, em escolas dessas, abriram vagas (Escola Secundária de Almeida Garrett, V. N. Gaia, 1997: 1 vaga, apesar de se saber que iria terminar o turno nocturno!)? Mas, em outras escolas, não abrem vagas (Escola Secundária de Canelas, Grande Porto, com cerca de metade de professores do QND!), apesar do absentismo excessivo de muitos professores (que não são do QND!). Não basta enviar a IGE para escolas como esta; é necessário dotá-las de recursos humanos adequados (professores e gestores). Deve-se frisar que as vagas negativas também dizem respeito a professores que irão aposentar-se... Se não há alunos, a quem vão ensinar os professores do QZP? É verdade que o número de alunos diminiu, mas também é um facto que o número de alunos por turma ainda é excessivo. Diminuindo o número de lugares do QND na proporção da diminuição do número de alunos nas escolas, mantém-se o elevado número de alunos por turma!

DGAE -  Mais informo que no ano de 1999/2000 ficaram desertas, por falta de candidatos, 645 vagas nos quadros de zona pedagógica. Vagas essas que foram este ano, de novo a concurso.

MJL - Porque será que não há candidatos para essas vagas? Talvez porque os professores não-profissionalizados (sem licenciatura do ramo educacional, com estágio integrado) não são assim tantos... Se estão “desertas” (com alunos à espera de professores), porque não se converte essas vagas em lugares de QND? Ou o ME prefere que, como já ocorreu numa escola das Terras de Basto (entre Braga e Vila Real), um aluno com somente o 12.º ano dê aulas de Matemática a alunos do 12.º ano? Claro que fica mais barato, mas isso é qualidade educativa?

DGAE -   O Ministério da Educação congratula-se com o Ano Mundial da Matemática e espera que os candidatos, profissionalmente habilitados, sejam, opositores ao concurso, aberto em 25 de Janeiro p.p., para as 954 vagas publicitadas, por forma a que todos os alunos tenham competentes profissionais na sua educação, designadamente em matemática.

MJL – Não basta o ME congratular-se com o Ano Mundial da Matemática. É preciso demonstrá-lo de facto. Será que o ME não sabe que os professores profissionalizados não podem candidatar-se aos QZP? O ano passado, já houve professores profissionalizados sem colocação. Este ano, pelos números das vagas do QND, quase não vão ser colocados nenhuns! Parece que o ME aposta nos professores não profissionalizados (engenheiros, economistas, etc.), em detrimento dos outros... Começa a ser mais fácil ser colocado, sem ter um curso vocacionado para o ensino! É caso para perguntar se vale a pena tirar um curso de “Matemática – Ramo Educacional” e qual a sua utilidade. Deve ficar claro que, com a sua prática actual, o ME desautoriza a validade desses cursos vocionados para o ensino, bem como as respectivas instituições de ensino superior. Acima de tudo, o ME promove a falta de qualidade educativa. É que de “pedagógica”, os QZP só têm o nome...


9 de Março de 2000

Mário Jorge Lima