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Exmos.
Senhores, Jornal Público:
C/C ...
Quem não conhece os pormenores das questões que refere, ou tenta saber as
informações em detalhe ou mais vale não falar nelas. Contudo, para meu
espanto, chegou-me ao conhecimento os artigos transcritos
no final deste email.
Já que o Ministério, segundo o vosso artigo, se faz passar por santinho,
devo informar que: Muitos professores de Matemática, recém-profissionalizados
(licenciatura com estágio integrado), não podem concorrer aos Quadros de Zona
Pedagógica (lugares sem direito a efectivar), que têm mais vagas (861) que candidatos (256). Se pudessem, não haveria
lugares por preencher; ainda haveria falta de lugares... Alguns professores não tiveram outra opção senão leccionar no ensino particular. As vagas (mais
negativas que positivas!) nos Quadros de Escola (lugares de efectivos) só foram ocupadas por professores que já estavam vinculados.
Com os vossos artigos, pode-se concluir duas coisas:
1) o vosso jornal (como havia feito aos estudantes), pelo motivo que referi no
início, e o Ministério da Educação, tratam os professores como uma "classe rasca";
2) os sindicatos só apresentam os slogans habituais, não sendo citados sobre
dados concretos (embora haja excepções).
A confirmar-se as declarações do Ministério, podem ser consideradas como
muito graves, pois são mentirosas, A exemplo do caso "Manuais,
cargos que tais e ética... aonde vais?", os nossos representantes no Estado perderam a vergonha. Com as afirmações actuais, começa
a justificar-se uma acção popular, já que o exemplo não vem do Primeiro-Ministro...
Já é tempo das instituições que representam os professores dizerem algo a
respeito!
Para informação do vosso jornal, incluo diversos artigos que eu havia
apresentado após a abertura das vagas, constituindo um triste historial do concurso de professores:
(...).
Cumprimentos e até breve,
Mário Lima
Artigos do Jornal Público:
Mais de
25 Mil Professores Ficaram Fora dos Quadros
Por ANDREIA SANCHES
Quarta-feira, 9 de Maio de 2001
Balanço da 1ª fase do concurso nacional
Há disciplinas para as quais não há docentes que se candidatem, como a
Matemática e Educação Física
São cerca de quatro mil os professores que, a partir do próximo ano lectivo,
terão, pela primeira vez, uma vinculação ao Estado numa escola do 2º e 3º
ciclos do ensino básico ou secundário, ou nos denominados "quadros de
zona
pedagógica". Segundo dados facultados pelo Ministério da Educação,
concorreram cerca de 29 mil docentes. O balanço daquilo que foi a primeira
fase do concurso nacional de recrutamento e colocação de professores revela,
portanto, que para mais de 25 mil concorrentes a estabilidade na carreira
foi adiada.
No total, esta primeira fase do concurso - que não abrange ainda os
professores do 1º ciclo e do pré-escolar, cujas listas de colocação só serão
afixadas a 30 de Maio -, atraiu quase 60 mil concorrentes (ver caixa).
Metade, eventualmente acumulando já alguns anos de contratos, candidatava-se
a um lugar no quadro. Outros tantos, procuravam apenas mudar de escola ou da
área à qual estão vinculados - muitos em busca, provavelmente, de uma
colocação num estabelecimento de ensino mais próximo de casa. Mais de seis
mil professores conseguiram, de facto, ser transferidos.
Segundo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que convocou para
hoje mais uma acção de protesto em frente ao ministério da 5 de Outubro, em
Lisboa, "este é o pior concurso dos últimos anos em matéria de vinculação".
A visão da tutela é diferente. Fonte do gabinete do ministro estranha mesmo
porque é que sobraram tantas vagas das inicialmente postas em jogo. Nada
mais nada menos do que 2 381 (das 6893 que estavam em concurso) sendo a
Educação Física, a Informática e a Matemática, as áreas disciplinares que
ficaram mais desertas por falta de candidatos.
O que é que isto quer dizer? Que são, de facto, muitos os professores que
concorrem, mas que o fazem, em massa, para disciplinas onde não há,
aparentemente, necessidade de profissionais.
É certo que os lugares que sobraram vão ser postos a concurso novamente (na
denominada segunda fase, cujos resultados são conhecidos só em Agosto), mas
fonte do Ministério da Educação reconhece que alguma coisa não bate certo:
ou os professores não querem o vínculo a qualquer custo, e concorrem apenas
a zonas próximas da sua residência, ou não sabem concorrer.
Apenas um caso é explicável, na opinião do ministério: as 427 vagas que
sobraram a Informática - um agrupamento criado há cerca de dois anos onde há
grande carência de profissionais.
Números
do Concurso
Quarta-feira, 9 de Maio de 2001
Total de candidatos à primeira fase - 59 271
Professores já com vínculo que procuravam uma transferência de escola ou de
zona pedagógica - 30 281
Professores sem vínculo que concorriam a alguma espécie de quadro - 28 990
Vagas iniciais (para vinculação nos quadros de escola ou de zona
pedagógica) - 6 893
Total de colocações - 9 186 (a maioria diz respeito a transferência de
professores que já estavam vinculados e 3 798 correspondem a novas
vinculações)
Vagas não ocupadas - 2 369
Matemática, dos 7º ao 12º anos, tem 678 lugares desertos
Há mais quase sete mil candidatos a concurso do que em 1998/99, ano em que
foram abertas cerca de 13 700 vagas para vinculação
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