Cursos Gerais e Tecnológicos

 

Revisão Curricular do Ensino Secundário
DES (Novembro de 1999)

2.ª Parte: Cursos Gerais e Tecnológicos


Breve análise

·    Porque é que tem que haver, exactamente, sete cursos gerais e catorze cursos tecnológicos? Não se explica isso na proposta do DES... que, neste aspecto, está mais próxima dos planos curriculares anteriores à Reforma Curricular (1989) do que dos ainda em vigor.

·    Porque é que o ensino não-regular (ensinos profissional, artístico e recorrente) é ignorado pela actual revisão curricular? Constitui um corpo estranho a este sistema educativo?

·    Nos cursos gerais, as disciplinas de opção são remetidas para o 12.º ano. Por exemplo, um aluno que pretenda seguir o curso superior de Educação Física tem a disciplina de Desporto (oferta nacional) apenas no 12.º ano! Quer dizer que, até agora, era errado ter essa disciplina no 10.º e no 11.º anos?

·    Antes de 1989, o único curso geral que não tinha Matemática era o de “Estudos Humanísticos (área D)”, tendo-a apenas como opção. Mesmo a área de Artes Visuais tinha Matemática. Com a Reforma Curricular ainda em vigor, todos os cursos passaram a ter Matemática obrigatória, se bem que alguns com a designação de Métodos Quantitativos e apenas no 10.º ano. Agora, termina-se com a obrigatoriedade da Matemática nos cursos artísticos e humanísticos. Nem sequer se menciona explicitamente (opção de oferta nacional) uma disciplina de Matemática facultativa... O mesmo acontece nos cursos tecnológicos. Quer dizer que, afinal, os alunos que têm Métodos Quantitativos não precisam dessa disciplina?!

·    Claro que a Matemática não deve ter programas e carga horária igual em todos os cursos, mas deveria ser obrigatória em todos eles. Por isso, esta disciplina (quando existe!) não deve ser apenas diferente entre os cursos gerais (Matemática [A]) e os tecnológicos (Matemática B). Em pleno Ano Mundial da Matemática (2000), o Ministério da Educação (DES), parece não reconhecer quais os desafios que se avizinham e que a Matemática é uma chave para o desenvolvimento, despromovendo a imagem da Matemática.

·    As saídas preferenciais para o ensino superior (quadro com alguns exemplos) apresenta um pormenor curioso: o curso de Arquitectura é uma saída do curso “Ciências e Tecnologias (G2)”, mas não consta das saídas do curso “Artes Visuais (G3)”! Consultando os planos curriculares dos dois cursos, é caso para perguntar: arquitectos ou engenheiros?



Mário Jorge Lima
http://go.to/mariolima
Março de 2000