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Diálogo sobre a Revisão Curricular
JCS - Que eu saiba não houve intermédias (ou
se houve foram apenas internas do Ministério). Mas a discussão não começou
com essa versão. Começou com os Encontros do Secundário que o DES iniciou há
uns dois anos e onde todos os professores do Secundário, associações, etc,
foram chamados a pronunciar-se. Desses encontros sairam 2 livros editados pelo
DES; foram ainda produzidos pelo Ministério da Educação dois documentos de
orientação geral que já definiam as traves mestras da Revisão Curricular.
Não foi em Novembro que a discussão começou.
MJL - Claro que não foi em Novembro último!
Eu não me referia à discussão inicial, mas sim à discussão em torno de
propostas já da iniciativa do DES. O Ministério tem editado alguns
documentos, mas eles continuam a não chegar de forma eficaz aos professores
(a todos!), por culpa do ME e das instituições que dizem representar os
professores.
JCS - Basta procurar bem que esta' la' a ligação
(é que em 7 Mega não se pode meter tudo) E mais: estão também nessa ligação
as versões que serviram para discussão e alguns pareceres da altura. Muito
material para discussão e reflexão! E se ja' tinha reparado nesse tal
"esquecimento" ja' podia ter feito essa sugestão aos responsaveis
(os nomes estao la'!) em vez de vir apontar o dedo na praça pública!
MJL - So são 7 Mega, porque o ME não
disponibilizou um endereço oficial (do tipo: www.des.min-edu.pt/acomp_mat),
o que eu já referi várias vezes por email, mas sempre sem resposta do DES.
Insisto que o Programa Ajustado (1997) não consta da página do
Acompanhamento, como se pode confirmar observando o "índice"
e os "recursos".
Estão outros materiais e ligações, mas não o Programa! Aproveito para
referir que, felizmente, a Comissão de Acompanhamento não cometeu o mesmo
erro que o DES (este, considerou as brochuras "Didáctica" e
"Projectos Educativos", destinados, respectivamente, a apoiar o 10.º
e 11.º anos!) Noto, ainda, que existe uma ligação para o documento
"Diagnóstico e Propostas para a Matemática Escolar" (SEEI, Julho
de 1997), que nunca foi divulgado pelo ME junto dos professores (mais um
documento resultante das muitas comissões!). Quanto aos responsáveis, foram
designados pelo ME, pelo que já alertei o DES várias vezes para alguns
pormenores (esse do Programa é que referi apenas no email anterior). Prefiro
a "Praça Pública" às conversas de bastidores e às tomadas de
decisão dadas a conhecer previamente apenas aos amigos... Esta "Praça Pública"
é o meio mais eficaz de todos (sublinho: todos) poderem manifestar a sua
opinião e dialogar abertamente.
JCS - !!!!!!!!!
MJL - Sim, foram traídos. Basta dar o exemplo
do documento "Diversificar os Programas de Matemática?" (J.P.Ponte,
DES-Évora, Julho de 1998), que considera insustentável que os alunos tenham
apenas "Métodos" como actualmente, propondo "Matemática
(tronco comum", no 10.º ano) e "Matemática C", no 11.º e 12.º
(opção, mas explícita!). O que o DES agora apresentou não constitui uma
traição, inclusive a si próprio?
JCS - Eu não vejo que numa sociedade
democratica como a nossa devamos esperar que as nossas posicoes sejam
subscritas a 100% pelos outros ou pelo poder. Devemos ter a humildade de
reconhecer que talvez não estejamos certos e que e' preciso trabalhar e
mostrar trabalho para melhor convencermos terceiros. Apesar de eu ter reservas
sobre certos aspectos da actual Revisao Curricular acho que estamos a
progredir. O que falta so' me leva a trabalhar mais para que na proxima
revisao possamos ir ainda mais longe. E isto independentemente de quem esteja
no DES ou no Ministerio da Educacao.
MJL - Eu também acho que estamos a progredir,
se bem que muito lentamente, às vezes com passos para trás, desde o início
da Reforma Educativa. Por isso é que considero que a questão de fundo é a
que refiro no texto "O Contexto Curricular e as
Reformas Necessárias" (enviada também para sem@fc.ul.pt).
Claro que todos não podem ter a mesma opinião e a nossa não será sempre a
"mais" correcta. Mas, se este processo dá passos em frente, também
dá um passo atrás, desperdiçando o que de positivo tinham os "Métodos":
como é que, depois de "libertar" esses cursos gerais da Matemática,
irá introduzir-se, mais tarde (adiar, adiar...), novamente, esta disciplina
científica? Insisto que não há pior modo de comemorar este Ano Mundial da
Matemática!
JCS - !!!!!!!!!
MJL - O projecto dos Métodos Quantitativos
para o Agrupamento Artístico será deitado, por isso, no lixo!
JCS - E' uma ideia que ja' tem sido avançada
por alguns. Mas não me parece que tenha sido suficientemente discutida. Pelo
menos não me parece suficientemente convincente.
MJL - No II Encontro Regional do Porto (1997)
levantei essa questão, mas os membros da mesa (entre eles, os colegas Jaime
Carvalho e Silva e Maria Augusta Neves) não pareceram interessados em discutí-la...
Claro que nunca haverá muita à-vontade para discutir, devido (repito, neste
email) aos interesses das editoras e dos autores.
JCS - De acordo com a lei actual isso é possível.
Não sabia?
MJL - Claro que sei! É pena que, na Matemática,
não haja o hábito que outras disciplinas têm de não se "sentirem
obrigadas" a adoptar manuais. O exemplo devia vir, também, de quem tem
responsabilidades: por exemplo, avaliando os manuais. Só em encontros e
conversas, sem a presença do outro autor, é que se critica o seu manual, que
"não está de acordo com o Programa"; em frente do autor, diz-se
que "todos os manuais cumprem o Programa e os professores é que devem
saber utilizá-los"...
Que fique claro que eu não pretendo
diferenciar-me dos actuais decisores, pela negativa, como os que defendem o
"Mathematically Correct"
em terras lusas. Estou de acordo com as tendências actuais, mas com
achegas, algumas das quais refiro nos textos "O
Contexto Curricular e as Reformas Necessárias" e "Reformas,
revisões, ajustamentos...".
Caros colegas,
caro colega Jaime Carvalho e Silva: Motivado pelo exemplo seguinte, declaro encerrados estes "diálogos", se bem que não a discussão sobre a Revisão Curricular: "MJL - O que o DES agora apresentou não constitui uma traição, inclusive a si próprio?" "JCS - Que excesso verbal!!! Eu não mando no Ministério! (...)" Mais alguém não percebeu que me referia ao DES? Para que não haja dúvidas: o DES (Novembro de 1999) traíu o DES-Évora (Julho de 1998)! Assim, não vale mesmo a pena continuar...
Posso ainda falar do deficiente acesso que as
escolas têm à internet (as que têm acesso!), para obter a documentação do
ME (quando está lá disponível!). Por exemplo, no início de 1997, só
obtive o Programa Ajustado em discussão, fotocopiando-o (!), porque só
enviaram 2 (dois!) exemplares para a escola, não estando na internet (os
anexos nunca estiveram e posso ver o Programa - sem anexos - no
"Nonius"), nem sequer (na altura) disponível para venda! (Aproveito
para informar que o documento "Diagnóstico e Propostas para a Matemática
Escolar" está disponível na secção "Educação Matemática"
da página http://go.to/estagio em formato
html, de fácil leitura. Não deveria ter sido a SEEI a disponibiliza-lo?)
Devo notar que, para dirigir qualquer instituição,
é preciso ter disponibilidade, concordar com os seus princípios e ter o
apoio da maioria dos membros. Porém, qualquer um pode e deve criticar, não
nas costas nem nos bastidores, mas na Praça Pública (seja!), que é o local
próprio acessível a todos (nem que seja a partir da residência, com um
email pessoal e não profissional).
Observo também que para pertencer a (ou
colaborar com) um dado organismo, é necessário respeitar as
incompatibilidades inerentes às funções exercidas. Mesmo que não estejam
na Lei (formalmente), estão na Sociedade (eticamente). Só assim, qualquer
momento torna-se oportuno para discutir qualquer assunto relevante: basta que
os intervenientes não tenham preconceitos em debatê-la... Quando esses e
outros intervenientes deixarem de pressionar (directa e indirectamente) os
professores quanto a manuais, então haverá condições para se debater em
condições esta temática, nas escolas e não só.
Antes de escrever este texto, tomei
conhecimento do início do "Reajustamento
do Programa de Matemática [do Secundário]". Quem aceita as medidas
recentes do DES, colaborando com ele, tem a mesma diginidade que os endereço
das páginas do "Ajustamento" e do "Reajustamento" têm. E
(como já esperava): as matemáticas A e B aparecem na ordem de
trabalhos, como se a proposta já estivesse aprovada!!! (Isto é
grave, não acham, professores e instituições?)
Até breve,
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