Linhas Orientadoras

 

Revisão Curricular do Ensino Secundário
DES (Novembro de 1999)

1.ª Parte: Linhas Orientadoras


Breve análise

·    Para se atingir o carácter terminal do Ensino Secundário terá que se verificar, entre outras, as seguintes condições: a) escolaridade não-superior diversificada e obrigatória até ao 11.º/12.º anos; b) articulação, de facto, com os restantes ciclos; c) 10.º ano não ser um ano verstibular do Secundário.

·    Os dois tipos de cursos do ensino regular (gerais e tecnológicos) encontram-se bem definidos, mas a abrangência das componentes da cultura geral a desenvolver, irá colidir com alguns planos de estudos. Estes, não contemplam, em todos os cursos, a formação científica adequada ao Século XXI.

·    A Área de Projecto não é senão a Área-Escola com a carga horária que nunca teve. Porque é que a sua coordenação tem que caber a dois professores da componente de formação específica? É assim que se quer praticar a transversalidade, limitando-a à partida?! Como são dois professores e há duas componentes, um seria da formação geral e outro da formação específica.

·    Porque é que os semestres são mais eficazes que os trimestres (copiar o ensino superior não confere uma identidade própria ao Secundário!)? E passa-se de tempos lectivos de 50 minutos para cerca de 75 minutos, sem possibilitar alguma flexibilidade?

·    Sobre a avaliação, o que se tem a dizer é apenas isto: “um sistema de avaliação com formas diversificadas, incluindo a valorização da avaliação diagnóstica e da avaliação formativa, que orientem a aprendizagem, além da avaliação sumativa, interna e externa”? Não vale a pena escrever o que já está em vigor. Não é por ser novamente escrito que será atendido por quem não o põe em prática... Propõe-se, aqui: As provas globais da componente específica devem realizar-se em modalidade idêntica à das provas globais da actual formação técnica, mas com menos aspectos borucráticos.

·    A escola com rigor e excelência só o será quando os recursos humanos e materiais estiverem à altura. Não é por acaso que as escolas dinâmicas já o eram, antes da autonomia e, com esta, não nasceram escolas assim. Além disso, o exemplo deve também vir de “cima”: como é que, hoje-em-dia, ainda se projectam e constroem escolas com as tradicionais salas “normais” e os espaços específicos só para algumas disciplinas?! E onde estão os professores para essa escola de rigor e excelência? É com esta formação inicial e contínua que vamos lá?


Mário Jorge Lima
http://go.to/mariolima
mariolima@hotmail.com
Fevereiro de 2000