No próximo mês de Setembro faz 15 anos que no primeiro ProfMat, em
1985, a APM foi lançada. Sem o 25 de Abril, a APM nunca teria existido.
Sempre me pareceu que, naturalmente, a APM deveria defender, em educação,
uma política de real democratização do ensino e de real igualdade de
oportunidades. Embora o documento do DES tenha o cuidado de incluir estas
expressões, e até em bold, as propostas que contém constituem, na minha
opinião, um atentado claro a estes dois objectivos.
Contra-reforma
As mudanças anunciadas para o secundário não são na verdade uma revolução,
nem isso seria preciso ou conveniente. Constituem em vez disso mais uma etapa
na espécie de contra-reforma que se tem vindo a desenvolver contra os avanços
democráticos na educação que ocorreram logo após o 25 de Abril. Que seja
um governo PS, quase com maioria absoluta, a lançar mais esta acha nesse
processo restaurador, não nos deveria surpreender, se usássemos a memória e
tivéssemos o bom hábito de enquadrar historicamente os vaivens da política
educativa. Com efeito, foi o I Governo Constitucional (do “PS sozinho”)
que descaracterizou, “licealizando-o”, o Ensino Secundário Unificado
(ESU), um projecto de prolongamento do “tronco comum” até ao 9º ano. O
ESU fora aprovado pelo IV Governo Provisório, tendo sido seu principal
promotor Rui Grácio, então Secretário de Estado da Orientação Pedagógica.
Avivemos então a nossa memória, recordando brevemente o que se passou.
A ideia do “tronco comum” surgiu em França, depois da segunda grande
guerra, e teve a sua expressão concreta no célebre plano Langevin-Vallon. A
criação de um Ensino Secundário Unificado (ESU) (7º, 8 e 9º anos), na
linha desse tronco comum, foi apenas possível em Portugal, por razões óbvias,
depois do 25 de Abril.
Nas palavras de Rui Grácio
[...] unificar não é fazer coabitar cursos diferenciados, como nas escolas
“polivalentes”, nem sequer “misturar “ elementos de cursos diferentes
[ensino liceal e ensino técnico]. É fundir, para utilizar uma linguagem
oficinal, por forma a que a liga resultante seja qualitativamente diferente e
susceptível de utilização diversa, e superior, com referência aos
elementos originais.[...]
É evidente o significado político e socialmente igualitário da unificação,
ou seja: da horizontalização das estruturas escolares, até agora orientadas
pela justaposição de vias paralelas de desigual prestígio social, umas mais
longas conduzindo ao ensino superior, e aos quadros de direcção política e
social, outras mais curtas desembocando no mundo do trabalho e da sujeição
social e política. A ordenação vertical das estruturas ao nível
considerado, que exprime, reproduz e reforça a hierarquia do corpo social, é
psico-pedagogicamente agravada pela necessidade de o aluno escolher
prematuramente — pelos 12/13 anos — o cursus escolar, se não mesmo o rumo
profissional, quando é sabido que os interesses, as atitudes e os valores
ainda se não encontram fixados, mudam ainda rapidamente a partir dos 15 anos,
aproximadamente, para se estabilizarem cerca de 10 anos depois".
Obra Completa, vol. II, pp. 408-409
Rui Grácio alertou repetidamente que para atingir os objectivos sociais do
“tronco comum” não chegaria a unificação formal, mas a transformação
substancial das estruturas do sistema educativo, e a proposta original do ESU
inclui propostas nesse sentido (integração das ciências, área das ciências
sociais, trabalhos oficinais, educação cívica politécnica).
No entanto, poucos meses depois, como já referimos, essa proposta original
foi completamente descaracterizada. Não houve “fusão” entre o ensino
liceal e o ensino técnico.
Deixou-se que o primeiro, marcado por “um saber académico e enciclopedístico
divorciado da prática social” ganhasse preponderância total. Essa
“licealização” acentuou um facto já indicado por Rui Grácio: os alunos
provenientes de meios desfavorecidos “estão munidos de um equipamento
cultural e mental incongruente com os estímulos, solicitações e exigências
dominantes em um ensino cujo discurso e cujos valores são próprios ou afins
de classes, estratos e categorias diferentes”.
Todos os professores atentos das escolas das periferias de Lisboa, por
exemplo, reconhecerão facilmente a justeza desta afirmação e como as condições
se agravaram ainda mais de há 25 anos para cá. E conhecem também as consequências:
exclusão, abandono.
Na situação presente, o nosso 3º ciclo do ensino básico, com os mesmos
problemas fundamentais ainda por resolver, é uma consequência directa da
falta de coragem e determinação em prosseguir a via original do ESU.
Quanto ao actual secundário, digamos de maneira rápida e simplista que foi
evoluindo ao sabor de decisões ad hoc , conduzindo a uma situação que o próprio
Ministério considera “complexa”: ensino secundário diurno (cursos gerais
e tecnológicos), ensino recorrente, cursos das escolas profissionais, cursos
das escolas especializadas de ensino artístico e ainda cursos em vias de
extinção, em regime nocturno. (Desenvolver, Consolidar, Orientar, pág. 9).
Finalmente, é aquela situação “complexa” que o ME, através do DES, vem
agora alterar, com a publicação de mais um documento de trabalho intitulado
Proposta de Revisão Curricular/Ensino Secundário (PRC/DES).
É em última análise este texto que comentaremos aqui, apenas em dois
pontos:
• de que modo se situa relativamente à problemática do “tronco comum”;
• que modificações são introduzidas na disciplina de Matemática.
Um passo atrás de consequê-ncias nefastas
Reconhecido o fracasso dos cursos tecnológicos e o absurdo de reduzir o
ensino secundário a uma preparação para ingresso no ensino superior, duas
vias afiguravam-se possíveis.
Uma delas, que eu defendo, e que naturalmente implicava uma coordenação com
o ensino básico, consistia em simultaneamente reconhecer e emendar os erros
da licealização do 3º ciclo (e em certos aspectos dos documentos da Gestão
Flexível, o caminho parece entreabrir-se para isso) e estender para o secundário,
com naturais adaptações, o tronco comum. Num ponto mais à frente deste
artigo retomarei mais longamente a descrição desta opção.
Não foi esta a via do ME. No texto que estou a comentar, propõe-se um
“ajustamento curricular” em que se estruturam “os cursos gerais como
claramente orientados para o prosseguimento de estudos e os cursos tecnológicos
como claramente orientados para a integração no mundo do trabalho”
(PRC/DES, pág. 4, bolds no original). Concretamente, é proposto que existam
7 cursos gerais e 14 cursos tecnológicos, dividindo claramente os alunos, à
entrada do secundário, em dois grupos — os que vão para cursos superiores
e os que vão para o mundo do trabalho. Os autores do texto, certamente
conscientes do clamoroso passo atrás que este dito “ajustamento” irá
representar, se for adoptado, tratam logo em seguida, num passe de mágica, de
enunciar os diversos factores que contribuem nesta medida para a
”democratização do ensino e da sociedade e para uma real igualdade de
oportunidades” (PRC/DES, pág. 4, bolds no original).
Um dos factores é a famosa “permeabilidade”. Interrogado sobre este ponto
pela Educação e Matemática nº 55, Domingos Fernandes (DF) é
suficientemente claro: “Haverá certamente medidas [para um aluno mudar de
curso]. Uma delas passará por um certo tipo de equivalências, um certo tipo
de permeabilidade que nunca é fácil, é bom que tenhamos essa noção.
Portanto, introduzir a permeabilidade possível, mas sobretudo a ideia de
criar um ano pós 12º ano que permita aos alunos “corrigir” os seus
percursos formativos e educativos” (Entrevista, E & M, pág. 54, bolds
acrescentados por mim).
Examinemos mais de perto em que poderá consistir essa “correcção”. Quem
irá frequentar esse ano pós 12 º ano? Vejamos o que diz exactamente DF:
“Alunos que estão nos cursos tecnológicos e que tiveram sucesso e que se
entusiasmaram [...] terão ao nível desse ano pós 12º ano a possibilidade
de receber os complementos de formação que lhes permitam estar em pé de
igualdade [no acesso a um curso superior]” Inventarei um caso concreto, sob
forma caricatural, para vermos o absurdo em que estamos a cair. Suponhamos então
que um aluno frequentou os três anos do Curso Tecnológico de Documentação,
um dos 14 cursos profissionais da “revolução”. Isso foi certamente
porque aos 15 anos tinha uma vocação irresistível para as técnicas de
documentação. Segundo DF, se este aluno tem sucesso (entende-se, direi eu,
no curso de documentação) e se se entusiasma (certamente pelas técnicas da
documentação), poderá então decidir mudar de curso e ir frequentar o ano pós
12º. Ou seja, será o sucesso e o entusiasmo adquiridos num curso
profissional — o que lhe augurava um futuro risonho como técnico de
documentação — que fazem este aluno decidir mudar de curso (e de
vida...!!!).
A história verdadeira é outra. Este aluno foi mal sucedido no 3º ciclo,
teve classificações baixas, e os pais ou um orientador psicológico
qualquer, convenceram-no que mais valia ir trabalhar do que estar com
veleidades de ir para um curso superior. E foi para técnico de documentação
muito provavelmente porque era a opção oferecida pela escola da vila do
interior de Portugal onde vivia. Mas depois passa a ter melhores notas e odeia
a documentação.
E resolve, à custa de muito esforço, energia e independência — que faltará
à maior parte dos seus colegas —, prosseguir estudos e ingressar no tal ano
pós 12º
Ai irá preparar-se para um estúpido exame a ver seconsegue a tal
permeabilidade (que não é, como confessa DF, coisa fácil...). E é isto
“a democratização de ensino e da sociedade e uma real igualdade de
oportunidades”!
Este “ajustamento”, se for para a frente, vai acarretar com o tempo outras
consequências nefastas.
Pode prever-se que se dará, mais tarde ou mais cedo, uma separação das
escolas — as dos cursos gerais (para os meninos que vão prosseguir estudos)
e as dos cursos profissionais (para os mal sucedidos no 3º ciclo, e já
sabemos qual é a sua principal proveniência). O próprio DF, com a sua estimável
franqueza, já apontou o caminho, ao dizer na mesma entrevista: “ Nós
conhecemos escolas que têm uma orientação clara para que os seus alunos
ingressem no ensino superior. Mas também temos escolas cuja vocação
principal é o mercado do trabalho, e que têm protocolos com empresas.”
Por outro lado, as propostas do DES não deixarão de ter consequências
negativas no ensino básico. Sabe-se como no nosso sistema educativo as opções
de um nível de escolaridade condicionam os níveis anteriores — não havia
uma educadora de infância que queria generosamente preparar as crianças ao
seu cuidado por forma a que não estranhassem quando mais tarde fossem
submetidas a testes de avaliação? A separação das águas no nível secundário
vai ter consequências no básico. Em primeiro lugar ao nível do
comportamento dos professores, que não deixarão de prever (e em consequência
diminuir as suas expectativas, com os resultados conhecidos) que certos dos
seus alunos “irão com certeza para os cursos (mais tarde dirão para as
escolas) profissionais”. Além disso, julgo que não teremos que aguardar
muito tempo para ouvir algum Secretário de Estado mais corajoso ou franco,
dizer:
Francamente, será preciso esperar pelo 9º ano para perceber que um
determinado aluno está destinado aos cursos profissionais? Então isso não
se vê logo no 5º ou no 6º? Ás vezes, basta olhar...
Porque havemos então de andar a massacrá-los com teorias, se eles são mesmo
feitos é para trabalhar? Nem todos podem ser doutores, e até há muitos
doutores desempregados.
As “chamadas ideologias ocidentais”, na expressão de DF — julgo que se
está a referir à economia de mercado e à concepção “racional” da
escola como empresa de produção de mão de obra —, que já nos obrigam aos
exames (Entrevista, pág. 57) não nos irão obrigar a germanizar o nosso
ensino e a ter escolas de tipo diferente desde os 12 ou mesmo 10 anos de
idade?
Más notícias também para a Matemática
À primeira vista, a maior implicação na disciplina de Matemática parece
ser a criação de uma Matemática B para os cursos tecnológicos. Se é
apenas uma Matemática B ou várias Matemáticas B, conforme os diferentes
cursos tecnológicos, não é claro do documento de trabalho.
Por outro lado, também a Matemática actual, chamemos-lhe A, parece poder ser
uma ou várias.
Na entrevista, a hipótese que parece agradar mais a DF é a existência de
uma Matemática A (a actual) chamada “estruturante” e depois a partir
daqui a criação (por cortes de capítulos, desconfio eu) de algumas Matemáticas
A’ e de várias Matemáticas B. Só desta maneira podemos imaginar que um
aluno possa num ano ficar “em pé de igualdade” com os meninos dos cursos
gerais, pois “apenas” terá que estudar os capítulos que foram retirados
da Matemática A para a transformarem na sua Matemática B.
Tudo isto são evidentemente más notícias. Gostava apenas de salientar uma
consequência perversa desta proposta. Mesmo que o texto do programa fique
imutável, apenas aparentemente a Matemática A fica na mesma.
Na realidade muitos de nós temos argumentado que, não se destinando muitos
alunos que frequentam o secundário a prosseguir estudos, não há qualquer
razão para reduzir a Matemática a um treino de técnicas que os professores
universitários gostavam de não ter que ensinar nos primeiros anos da
universidade.
Esta argumentação cai pela base, na medida em que a Matemática A passa a
ser exclusivamente para prosseguir estudos superiores. Porque não há-de ser
isso mesmo, portanto? De resto, também aqui DF usa de franqueza, ao falar da
Matemática A como “a Matemática pura e dura, para ingresso na
Universidade”. Porquê “dura”? Que concepção da Matemática e do seu
ensino estará por trás deste adjectivo?
A criação destas duas ou mais “Matemáticas” não deixará também de
acarretar consequências no básico. Hoje em dia, fala-se muito em
flexibilidade, e em currículos alternativos, mas sempre no pressuposto de que
não há matemáticas de primeira e de segunda, de que é possível e desejável
oferecer uma matemática de qualidade para todos os alunos. Mas naturalmente e
logicamente, uma questão vai colocar-se: se já sabemos que muitos destes
alunos vão ter uma Matemática B, e se até é possível prever, logo desde o
início do 3º ciclo, se não mais cedo, quem são esses alunos, porque não
simplificar (no sentido real de empobrecer) a Matemática para eles? Porque não
começar a criar Matemáticas B mais cedo?
Poderia ser de outra maneira?
Julgo francamente que sim. Já apontei a via de prolongamento de um tronco
comum não “licealizante” para o secundário. Mas é necessário explicar
melhor do que se trata, antecipando mal entendidos, dado que é um caminho
ainda por abrir, pelo menos entre nós.
a) Penso que está certamente próximo o tempo em que todos os alunos
prosseguirão estudos de nível secundário.
E que este nível, não sendo
• nem terminal — pois por um lado não deve ter carácter
profissionalizante e por outro será desejável que a melhoria das condições
sociais permita o prosseguimento dos estudos para uma percentagem crescente de
todos que o desejarem fazer;
• nem de preparação específica para determinados estudos superiores —
pois ainda será cedo para a generalidade dos alunos fazer escolhas quase
definitivas,
deverá ter como objectivo prosseguir e aprofundar a formação geral iniciada
nos anos anteriores, em todos os domínios — humanísticos, científicos, técnicos,
artísticos, e para a cidadania.
b) Sendo esta formação geral oferecida a todos os alunos, deverá existir um
curso único (o tronco comum), contemplando todos aqueles domínios. No
entanto, esta universalidade não se obtém justapondo as disciplinas dos vários
agrupamentos do actual secundário, o que seria não só absurdo mas incomportável.
Terão que ser criadas disciplinas novas, com objectivos novos, e alterando
grandemente, no sentido da redução, as cargas horárias dessas disciplinas.
Entretanto, ao mesmo tempo que será oferecido esse curso único a todos os
alunos, serão também oferecidas opções que complementarão, nos vários
domínios e em diversas direcções, aquela formação geral. Portanto,
mediante a escolha em cada ano dessas opções, os alunos acabarão por fazer
percursos diferenciados mas com uma base de formação comum. Ao longo dos três
anos, e correspondendo à variação rápida de interesses, valores e atitudes
que os caracterizam, como afirmava Rui Grácio, os jovens nas idades
correspondentes ao ensino secundário vão por assim dizer tateando a sua vocação.
Explicitarei mais à frente (ponto d), para o caso da Matemática, que nos
interessa mais e sobre o qual nos percebemos uns aos outros mais facilmente,
em que poderia consistir o curso único e as correspondentes opções.
c) A expectativa que devemos ter é que, idealmente, a totalidade dos alunos
prosseguirá a sua formação geral no ensino secundário, aproximando-nos
assim dos períodos de escolaridade praticados já em outros países. Isso não
quer dizer, no entanto, que alguns alunos, logo no início do secundário ou
em anos subsequentes, não decidam interromper ou terminar a sua escolaridade
e aprender uma profissão.
Nessas circunstâncias, não tem sentido prender esse aluno à escola e obrigá-lo
a frequentá-la até ao fim do secundário. A escola nunca deve ser uma prisão!
Esse aluno deve ter, também em condições de gratuitidade, direito a
aprender uma profissão, pelo que terão de existir escolas profissionais. Tal
como deve ter direito e lhe devem ser dadas condições para regressar aos
estudos mais tarde (mas isso são outras questões que não vamos abordar
aqui).
d) A finalidade da formação em matemática — para todos os alunos — é a
compreensão da natureza da matemática e da sua relevância para o
desenvolvimento da sociedade. Essa compreensão atinge-se através de uma
experiência matemática intensa e variada, e da reflexão sobre essa experiência,
que deve existir ao longo de toda a escolaridade. O que distingue e identifica
a este respeito o secundário é que deverá ser possível aí, devido ao
progressivo amadurecimento intelectual dos alunos, fazer experiências e
reflexões mais dirigidas e organizadas incidindo em particular sobre
• a história da matemática;
• os seus processos próprios de desenvolvimento — modelação matemática,
procura de invariantes, descoberta de conexões dentro da matemática e
utilização da analogia, generalização e abstracção;
• as suas características como ciência — o papel da intuição e da
dedução em matemática, a importância e carácter das definições e da
demonstração, e a estrutura axiomática.
Nesta perspectiva, portanto, a aquisição de técnicas e de proficiência de
cálculo, ou mesmo de conhecimentos específicos de conceitos ou resultados
matemáticos, não constitui finalidade do ensino em si mesma, mesmo no ensino
secundário, mas apenas na medida em que seja estritamente necessária para
aquela formação geral, que tem portanto um carácter eminentemente cultural,
do meu ponto de vista.
A formação geral matemática assim entendida (para todos os alunos) não
ocuparia certamente mais do que duas horas por semana.
Os alunos mais interessados e com maior gosto pela matemática, no entanto,
poderiam completar a sua formação escolhendo, ao longo dos três anos do
secundário, opções de matemática — geometria, análise, probabilidades,
geometria descritiva, informática para matemática, etc. — bem como,
natural e desejavelmente, poderiam juntar algumas destas opções com outras
noutros domínios — música, história da arte, literatura inglesa,
atletismo de competição, etc. — tal como outros alunos, mais inclinados
para as letras, poderiam escolher opções no domínio da literatura e porque
não, história da ciência ou história da matemática.
Nota
Já depois de escrito este artigo tomei conhecimento de um número notável
da revista Colóquio/Educação e Sociedade, dedicado ao Ensino Secundário (nº
5, Nova Série, Março 1999, ed. Fundação Gulbenkian).
Aos colegas que justificadamente não se satisfazem com as ideias expostas
neste artigo em forma de desabafo e apenas fundamentadas numa opinião
individual, recomendo a leitura dessa revista.
Bibliografia
Grácio, Rui. Obra Completa. Vol. I, II e III. Fundação
Gulbenkian, 1995.