Há questões simples mas essenciais que tardam em ser respondidas:
- Que Matemática ensinar?
- Todos os alunos, no ensino não superior, devem ter Matemática?
- Que professores devem ensinar Matemática?
- Quem deve representar os professores de Matemática?

Apenas farei um comentário sobre a terceira questão, embora a última questão esteja implícita no comentário. As duas primeiras ficarão para outra oportunidade...

Concordo que, só quem não sabe ou não quer fazer umas contas elementares, pode afirmar que não são necessários mais professores de Matemática (e de qualquer outra área), quer no Básico, quer no Secundário, atendendo às revisões curriculares. Só ao Ministério das Finanças, digo, da Educação, parece interessar a diminuição do número de professores. Contudo, talvez seja verdade que o número de professores recém-profissionalizados cresça mais rapidamente que as necessidades das escolas; dái, o motivo da redução do número de vagas...

Mas porque é que as "necessidades" das escolas foram "satisfeitas" tão rapidamente? Lembram-se da "Lei dos Engenheiros"? Então, já devem estar a ver a resposta... Claro que as necessidades foram satisfeitas em termos quantitativos e na perspectiva de empregar pessoas que dão aulas. Quem apoiou isto? Não é difícil concluir: o Ministério das Finanças, digo, da Educação; a Ordem dos Engenheiros; os sindicatos; ...

Como satisfazer as necessidades das escolas, em termos qualitativos? Parece lógico que os cursos de formação inicial de professores, com estágio integrado, devem ser as vias preferenciais (e, a partir deste momento, as únicas) para o ingresso na Carreira Docente. Se não for assim, qual a validade deste tipo de formação? Quem apoia isto? As instituições que representam os professores, o que dizem disto?

Agora que se avizinha a Revisão Curricular do Secundário, já se fala daquilo que se poderá tornar na "Lei dos Economistas". Mais uma vez, os formados em Matemática (ramos educacionais) serão ultrapassados por economistas que não arranjaram outro emprego ou acumulam com o que já têm, para leccionar "Matemática Aplicada às Ciências Sociais"...

Mas não basta, para se ser professor de Matemática, ter formação inicial como a atrás referida (e não outro curso ou profisionalização em serviço qualquer). Tem que se prestar provas para ingressar na profissão, de modo que não haja desigualdades derivadas da classificação final de licenciatura. Todos sabemos que as notas nas faculdades privadas são muito superiores às das faculdades públicas. Não é alterando os pesos da parte curricular e do estágio que se resolve o problema, mas sim através de uma prova nacional de ingresso na profissão docente, que contemple as vertentes descritas nos perfis Geral e específicos dos professores. Também neste assunto, quase nenhuma instituição se tem pronunciado - apenas as faculdades clássicas.

Concluindo, por agora:
- só pode ingressar na carreira docente quem tiver licenciatura com estágio integrado;
- a graduação deve atender à classificação numa prova nacional de ingresso;
- só os licenciados em Matemática, nas condições anteriores, podem leccionar qualquer disciplina da área da Matemática.


Mário Lima
www.go.to/mariolima
Um novo Sistema Educativo (em que o Ministério da Educação dialoga e decide com representantes das comunidades escolares e não com representantes de alguns professores)
 

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