Laboratório de Matemática na "Educação Básica"

 
 

1.      Introdução

Os currículos e os programas resultantes da última Reforma Educativa (1989,-) apontam para a inovação nas finalidades e nos objectivos, conteúdos e metodologias, e na avaliação do ensino-aprendizagem da Matemática. Na educação básica, está em fase de implementação a flexibilidade curricular (1998,-). Ambas as situações defendem as conexões entre tópicos matemáticos, entre várias áreas disciplinares e com o dia-a-dia, numa perspectiva nacional (sistema educativo) e local (comunidade educativa). Os saberes são construídos a partir da experiência, da reflexão e da prova; gradualmente, da intuição até à dedução. Privilegia-se a comunicação e a investigação, não ficando apenas por tarefas rotineiras. Em suma, trata-se, também, de adequar a educação escolar à evolução da sociedade.

Contudo, apesar destas indicações e de alguma inovação nos métodos de ensino, tem-se ficado muito aquém do que seria desejável - por vários motivos; um deles é a gestão de espaços educativos e recursos materiais nas escolas. Nas aulas de Matemática, ainda prevalece o espaço da sala de aula "normal", isto é, apenas com mesas, cadeiras e o quadro de giz, na forma tradicional, e (nem sempre) um retroprojector. Incompreensivelmente, nos nossos dias, projectam-se e constroem-se escolas que dispõem dos já habituais espaços específicos (gimnodesportivos e salas artísticas, técnicas e laboratoriais), mantendo as salas "normais" para as restantes disciplinas. Estas dispõem de poucos materiais didácticos, geralmente guardados em armários ou arrecadações, longe das salas de aula. Só agora, e quase exclusivamente, no ensino secundário, se começa a implantar laboratórios de matemática. Refira-se, ainda, a inexistência de espaços próprios para o trabalho interdisciplinar.

Há, pelo menos, duas alternativas à actual situação: ou todas as salas de aula estariam equipadas convenientemente, de modo a satisfazer as disciplinas (sala de aula - turma); ou as disciplinas ainda não contempladas, disporiam de espaços próprios (sala de aula - disciplina). A segunda hipótese parece ser a mais viável, pois seria mais eficaz na rentabilização de equipamentos e materiais. É nesta perspectiva que se enquadra o Laboratório de Matemática: ponto de partida para um ou mais espaços específicos para o ensino-aprendizagem da Matemática. Chama-se "laboratório", apenas porque se tornou usual esta designação. Por um lado, a componente experimental da Matemática é diferente da das outras ciências;  por outro, o referido espaço não se deve reduzir a actividades laboratoriais.

2.      Objectivos

Com a existência do Laboratório de Matemática, pretende-se dotar a Escola de um espaço e recursos adequados ao ensino-aprendizagem da Matemática:

·        realizando aulas de acordo com as novas tendências educacionais;

·        possibilitando quer actividades individuais, quer actividades em grupo;

·        promovendo a realização de actividades de investigação e trabalhos de projecto;

·        promovendo a realização de actividades lúdicas e outros eventos;

·        facilitando o intercâmbio entre os vários níveis de ensino;

·        implementando reuniões informais entre professores;

·        rentabilizando os equipamentos e materiais didácticos;

·       


3.      Descrição

O Laboratório de Matemática não pretende ser uma cópia de outros laboratórios disciplinares. Para cumprir os objectivos enunciados, tem que se situar num espaço amplo (para uma turma inteira), com as mesas dispostas em grupo, além da mesa do(s) professor(es), e com armários suficientes para os equipamentos e materiais. Deve ter alguns equipamentos indispensáveis próprios e materiais para uso no Laboratório e, eventualmente, noutras salas: audiovisuais, manipuláveis, tecnológicos, livros, revistas e textos.

Devido à natureza de alguma actividades, torna-se imperativo que uma aula por semana seja efectuada em regime de turno (meia turma de cada vez). É fácil conciliar, em termos de horário, conjugando o desdobramento com outra disciplina.

O Laboratório pretende ser um projecto dinâmico. Deve ser construído gradualmente e ser avaliado e revisto periodicamente por toda a Comunidade Escolar. Aos professores do Departamento de Matemática, cabe a iniciativa relativa ao desenvolvimento do projecto. A toda a Comunidade Educativa, destina-se o direiro de usufruir e o dever de apoiar o projecto.

4.      Recursos

Mobiliário:

-         3 quadros: branco, de giz e de giz quadriculado;

-         2 ecrans, para projecção;

-         1 banca com torneira;

-         mesas (dispostas em grupo de 4 a 6 alunos) e cadeiras, para uma turma completa;

-         6 armários grandes, com partes fechadas e outras abertas;

-         vitrines e palcards, para afixação;

-         mesas, para a colocação dos computadores;

-         mesas, para colocação dos aparelhos de projecção;

Equipamento:

-         5 computadores multimedia (PC Pentium), ligados em rede à internet;

-         1 computador portátil multimedia (PC Pentium), apto para ligar à internet;

-         1 impressora-scanner-fotocopiadora (HP Office Jet);

-         1 televisor e 1 vídeo;

-         5 calculadoras científicas para projecção (TI College);

-         5 calculadoras gráficas (TI 83 Plus viewscreen);

-         1 conjunto calculadora gráfica (TI 83 Plus) + viewscreen, para projecção;

-         1 conjunto calculadora gráfica (TI 92 Plus) + viewscreen, para projecção;

-         5 aparelhos (CBL e CBR), com sensores, para recolha de dados;

-         cabos e software (GraphLink), para ligar as calculadora gráfica ao computador;

-         1 videoprojector portátil, para projecção da imagem de computador, de vídeo e de calculadora gráfica;

-         1 aparelho (TI Presenter) para ligar as calculadoras ao televisor ou ao videoprojector;

-         2 retroprojectores, para acetatos, calculadora ou viewscreen;


Software:

-         geometria: Cabri Geometry II e Geometer's Sketchpad;

(...)

-         ligação calculadoras-computador: TI Interactive;

(...)

-         java applets obtidos na internet;

-         publicação de páginas na web: Frontpage; Java Cabri e Java Sketchpad.

 (...)


Livros de apoio ao ensino:

-         Organização Curricular e Programas (todos os níveis de ensino), ME;

-         "A Matemática na Educação Básica", DEB (1999);

(...)

-         "Normas para o ensino e avaliação em matemática escolar", NCTM (1989);

-         Adendas às Normas, NCTM;

-         "Normas profissionais para o ensino da matemática", NCTM (1991);

-         "Normas para a avaliação em matemática escolar", NCTM (1995);

-         manuais e brochuras diversos;

(...)

5.      Avaliação

A avaliação deste projecto deve ser feita continuamente, por toda a comunidade escolar. Deve atender quer às necessidades específicas da Matemática, quer dos currículos, quer da Escola, e em cada momento concreto da evolução do sistema educativo.

Se e quando for oportuno, o projecto será revisto, por iniciativa da Comunidade Escolar e coordenado pelo Departamento de Matemática.

6.      Calendarização

Pretende-se que o arranque (e inauguração) do Laboratório de Matemática seja realizado na semana lectiva de 20 a 24 de Março (Semana da Matemática, na Escola e a nível nacional, no âmbito do evento "2000 - Ano Mundial da Matemática"). Por isso, antes dessa data, terá que ser encontrado um espaço nas condições referidas no presente projecto (até meados de Fevereiro), sendo equipado com os recursos existentes (até meados de Março).

Após a abertura/inauguração, será utilizado de modo a cumprir os objectivos propostos no projecto. Para tal, o Departamento aprovará o planeamento da actividade a desenvolver no Laboratório. No final do ano lectivo, será feito um primeiro balanço, com a avaliação dos vários agentes da comunidade escolar.

A partir do próximo ano lectivo, a actividade decorrerá de modo a cumprir o projecto: o enquadramento curricular das actividades a desenvolver, de acordo com os programas; a dotação de equipamentos e materiais indispensáveis; os recursos humanos necessários ao seu funcionamento; a gestão do tempo escolar, nomeadamente o desdobramento das turmas; a atribuição e a gestão de verbas destinadas ao funcionamento, manutenção e ampliação do Laboratório.

 

 

Referências:
Laboratórios de Matemática no Ensino Secundário, Comissão de Acompanhamento do Programa, 1997

 

Mário Jorge da Silva Lima
Departamento de Matemática
Escola EB 23 de Perafita, 6 de Dezembro de 1999