Reorganização Curricular do Ensino Básico

Educação Integração Cidadania

 

A Educação Básica — que constitui o começo de um processo de educação e formação ao longo da vida — integra hoje a Educação Pré-Escolar e o Ensino Básico, o qual corresponde a 9 anos de escolaridade, organizados em três ciclos, e é de frequência obrigatória para todas as crianças e jovens entre os 6 e os 15 anos de idade.

O propósito essencial desta reorganização curricular do Ensino Básico é o de criar melhores condições para se concretizar um objectivo há muito definido: uma formação de base para todos com qualidade das aprendizagens.

Assim, são tomadas medidas para enfrentar problemas persistentes no nosso sistema educativo: a dificuldade em lidar com a diversidade de situações educativas, o insucesso e abandono escolares ainda elevados, a falta de articulação e consistência entre os vários ciclos de escolaridade.

A reorganização curricular do Ensino Básico — que resulta de um longo processo de reflexão e trabalho envolvendo muitas escolas e diversos parceiros — procura contribuir para a construção de uma escola para todos mais humana, criativa e inteligente, que visa a formação integral de todas as crianças e jovens e a promoção de aprendizagens realmente significativas.

Nesta perspectiva de escola, não basta adquirir conhecimentos, é necessário compreender e saber usar o que se aprende, assim como desenvolver o gosto por aprender e a autonomia no processo de aprendizagem.

 

Uma nova visão de currículo

O currículo nacional estabelece as principais aprendizagens, competências e experiências educativas que devem ser proporcionadas a todos os alunos. A sua concretização é um processo flexível que procura as respostas adequadas e frequentemente diferenciadas às diversas necessidades e características de cada aluno, grupo de alunos, escola ou região.

Respeitando as orientações do currículo nacional, cabe à escola, no quadro da respectiva autonomia e através dos seus orgãos próprios, a responsabilidade de organizar e conduzir o processo de ensino-aprendizagem de modo adequado aos seus alunos, gerindo os recursos humanos e materiais à sua disposição. Neste processo, um papel essencial é desempenhado pelo colectivo dos professores que trabalham com cada grupo de alunos.

 

Uma perspectiva integrada de currículo e avaliação

O currículo e a avaliação são componentes de um mesmo sistema e não sistemas separados. A avaliação implica interpretação, reflexão, informação e decisão sobre os processos de ensino e aprendizagem, tendo como principal função ajudar a promover ou melhorar a formação dos alunos.

É preciso utilizar uma variedade de modos e instrumentos de avaliação, adequados à natureza das diversas aprendizagens, assim como prestar uma atenção especial ao percurso e evolução de cada aluno ao longo de cada um dos ciclos do ensino básico.

 

Componentes e áreas do currículo

Em todos os ciclos do ensino básico, a Educação para a Cidadania e a utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação correspondem a aprendizagens que atravessam todas as disciplinas e áreas do currículo.

São criadas três novas áreas curriculares, não disciplinares, com tempos próprios nos horários de alunos e professores:

·         O Estudo Acompanhado visa promover a apropriação pelos alunos de métodos de estudo, de trabalho e de organização, assim como o desenvolvimento de atitudes e capacidades que favoreçam uma crescente autonomia na realização das suas próprias aprendizagens.

·         A Área de Projecto tem o propósito de envolver os alunos na concepção, realização e avaliação de projectos, permitindo-lhes articular saberes de diversas áreas curriculares em torno de problemas ou temas de pesquisa ou de intervenção.

·         A Formação Cívica é um espaço privilegiado para o desenvolvimento da educação para a cidadania, recorrendo nomeadamente ao diálogo e reflexão sobre experiências vividas e preocupações sentidas pelos alunos e sobre questões relativas à sua participação, individual e colectiva, na vida da turma, da escola e da comunidade.

Nos 1.º e 2.º ciclos, não há alterações no quadro das áreas disciplinares e disciplinas que integram o currículo.

No 3.º ciclo, as mudanças estão relacionadas com a iniciação à segunda língua estrangeira para todos os alunos, a garantia da sequencialidade das disciplinas ao longo do ciclo e uma abertura no leque de opções da Educação Artística que a escola deve oferecer.

As escolas, no âmbito do seu projecto educativo e de acordo com os seus recursos, proporcionam ainda aos alunos actividades de enriquecimento do currículo, incidindo nomeadamente nos domínios desportivo, artístico, científico e tecnológico.  

Nesta fase, não haverá alterações dos programas, salvo em algumas disciplinas do 3.º ciclo que têm um enquadramento diferente no currículo. Numa fase posterior, em que estejam definidas a nível nacional competências e experiências de aprendizagens essenciais em cada disciplina, os programas serão gradualmente revistos, simplificados e ajustados de acordo com o seu novo papel.


Áreas obrigatórias do currículo

1.º ciclo

·         Áreas disciplinares: Língua Portuguesa, Matemática, Estudo do Meio, Expressões (Artísticas e Físico-Motoras).

·         Áreas não disciplinares: Área de Projecto, Estudo Acompanhado, Formação Cívica.

2.º ciclo

·         Áreas disciplinares: Línguas e Estudos Sociais (Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, História e Geografia de Portugal); Matemática e Ciências (Matemática, Ciências da Natureza); Educação Artística e Tecnológica (Educação Visual e Tecnológica, Educação Musical); Educação Física.

·         Áreas não disciplinares: Área de Projecto, Estudo Acompanhado, Formação Cívica.

3.º ciclo

·         Áreas disciplinares: Língua Portuguesa; Línguas Estrangeiras (LE1, LE2); Ciências Humanas e Sociais (História, Geografia); Matemática; Ciências Físicas e Naturais (Ciências Naturais, Físico-Química); Educação Artística (Educação Visual, outra disciplina de oferta da escola — Educação Musical, Teatro, Dança, etc.); Educação Tecnológica; Educação Física.

·         Áreas não disciplinares: Área de Projecto, Estudo Acompanhado, Formação Cívica.


Carga horária e organização
do trabalho semanal dos alunos 

No 1.º ciclo, a carga horária semanal obrigatória dos alunos continua a ser de 25 horas.

Nos restantes ciclos, a carga horária situa-se entre 16 e 17 períodos de 90 minutos (no 2.º ciclo) e entre 17 e 18 períodos de 90 minutos (no 3.º ciclo).

Respeitando os tempos estabelecidos no currículo nacional para cada área curricular, as escolas podem gerir a distribuição das cargas horárias do modo que considerem mais adequqdo, assim como decidir sobre a eventual inclusão de uma componente local do currículo.

Períodos de trabalho de 90 minutos têm em vista favorecer a realização de actividades mais diversificadas na sala de aula, nomeadamente valorizando o ensino experimental e tornando possível que uma parte essencial do trabalho escolar seja feito pelos alunos nas aulas. Além disso, contribuem para que os alunos tenham menos disciplinas por dia e menos interrupções na sua actividade escolar.

 

Calendário da reorganização curricular do ensino básico

1.º e 2.º ciclos

   (do 1.º ao 6.º ano): Setembro de 2001

3.º ciclo

   7.º ano: Setembro de 2002
   8.º ano: Setembro de 2003
   9.º ano: Setembro de 2004

A partir de 2001/2002, e a exemplo do que já acontece nas 180 escolas que experimentam a Gestão Flexível, todas as escolas vão poder organizar os tempos e os modos de aprendizagem de acordo com os projectos que elaboram para assegurar o sucesso educativo dos seus alunos.

As aprendizagens iniciais são decisivas, pelo que os saberes fundamentais não dispensam outras competências:

·         aprender a seleccionar e organizar a informação,

·         aprender a pesquisar,

·         aprender a comunicar em diferentes contextos e utilizando suportes diversificados,

·         aprender a relacionar conteúdos de vários domínios,

·         aprender a trabalhar individualmente e em grupo,

·         aprender a avaliar o seu próprio desempenho,

·         aprender a procurar a qualidade e a excelência num clima de solidariedade.

Estes objectivos serão alcançados através das actividades propostas em três novas áreas curriculares não disciplinares (Estudo Acompanhado, Área de Projecto e Formação Cívica) e em todas as disciplinas do currículo.

A formação contínua de professores, organizada a partir das necessidades identificadas pelas escolas, a divulgação de informação a todos os parceiros e o apetrechamento das escolas são alguns dos aspectos centrais do trabalho que a todos se propõe.

Com realismo e ambição, poderemos concretizar uma educação de qualidade para todos.

Ana Benavente
Secretária de Estado da Educação